
Um dos argumentos que quase sempre se deve evitar para fazer análises sociais é aquele em que se busca aproximar o Brasil de outros países do mundo ditos desenvolvidos – leia, países europeus e EUA – de modo a desconsiderar nossas particularidades históricas e sociais e tomando outras realidades como exemplo a ser seguido. Pois, desta vez, vou contrariar, em certa medida, essa regra analítica.
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Quando penso sobre o tema da urbanização e do tipo de cidade de minha preferência, do ponto de vista do bem-estar e do bem-viver urbanos, um dos pressupostos dos quais não consigo fugir é a presença de espaços verdes na cidade – parques, praças, jardins (horizontais e verticais), áreas de absorção da chuva, ruas arborizadas, etc. – sem os quais a vida na cidade, me parece, tornar-se-á insuportável diante das consequências já evidentes do aquecimento global e das alterações climáticas.
Um dado relevante que se faz necessário ter em conta nessa reflexão é que esse modelo de vida que adotamos como nosso, o modelo urbano, é, a bem da verdade, uma construção histórica europeia que nos fora imposto pela colonização portuguesa. Em outras palavras, nosso modelo de organização social, cujas moradias estão concentradas em zonas territoriais ditas urbanas é um modelo que os europeus trouxeram para as Américas, que tem como característica um baixo percentual de integração sustentável com a natureza. Isso é bastante notório quando olhamos para os modos de vida dos povos nativos das Américas, por exemplo.

Contudo, uma vez que já temos como naturalizado esse modelo de organização espacial, ou geopolítico, cumpre-nos, por assim dizer, buscarmos um modelo de urbanização mais sustentável e agradável para nós, seres humanos; o que, do meu ponto de vista, só é possível, dando-se prioridade para a recuperação e manutenção das coberturas vegetais, dos biomas, das nascentes, da fauna, da flora, etc.
Os países ditos desenvolvidos já se deram conta da necessidade de adoção de um padrão sustentável de urbanização. As cidades europeias, por exemplo, sempre têm seus parques e jardins, onde as pessoas vão diariamente desfrutar do contato com a natureza, fazer piqueniques, praticar esportes, encontrar os amigos, enfim, ter um momento de lazer depois de um dia de trabalho.
É nesse sentido e sobre esse aspecto que acredito que a comparação com esses países seja boa e razoável. Uma vez que o modelo de organização geopolítico deles fora transmitido para nós, com seus problemas inerentes, acredito ser viável que as soluções sejam observadas e possam ser tomadas como referências para a solução dos problemas locais.
Sendo assim, quando observamos o município de Iperó com mais cuidado, constatamos que temos um patrimônio natural muito relevante, representado pela Flona de Ipanema, que precisa ser preservado e que exerce um papel preponderante no caminho que estou tentando apontar, mas, por outro lado, quando observamos o núcleo urbano central, faltam muitos aparelhos públicos destinados à zonas verdes, de preservação natural, com o objetivo, ao mesmo tempo, de oferecer lazer e contato com a natureza às pessoas, além da preservação ambiental. Faça uma comparação, por exemplo, entre o número de praças (densamente arborizadas) que existem em Iperó e em Boituva, e meu argumento ficará bem claro.
A partir desta perspectiva é que notei que existe em Iperó um espaço público com um grande potencial para se tornar o primeiro Parque Central da Cidade, que é o Estádio Municipal Francisco Praxedes Coutinho.
Atualmente, o espaço está passando por uma obra de revitalização, com o objetivo de continuar sendo um estádio. Porém, gostaria que você, caro leitor, em primeiro lugar, olhasse as fotos abaixo e imaginasse esse espaço transformado em um parque, cheio de flores e árvores, com trilhas para caminhada e corrida, sombras refrescantes, bancos, fontes d’água, uma concha acústica e um palco permanentes para apresentações musicais ou teatrais ao ar livre, com acesso para três ruas diferentes, e o que mais você puder imaginar. E nos dissesse: isso faz sentido para você?
Em segundo lugar, enquanto isso não se torna possível de se concretizar, gostaria de evidenciar aqui alguns problemas com relação à reforma do Estádio Municipal. Primeiro, repare que, segundo informações da placa da obra, a data prevista para o término da reforma seria dia 10/06/2024 (10 meses a partir do início, 10/08/2023), portanto, este prazo já se encerrou. Diante disso, acredito que os iperoenses merecem uma explicação do prefeito sobre as razões do atraso da obra. Cumpre aos vereadores, por exemplo, questionar o chefe do executivo pedindo uma explicação através de ofício ao executivo sobre o atraso. Esse é justamente o papel de fiscalização do executivo que os vereadores devem exercer.
Ademais, repare que há uma edificação em andamento logo no limite frontal do terreno com a avenida, ou seja, sem recuo algum. Será que a ausência de recuo é permitida no código de obras do município? Terceiro, a obra está orçada em R$ 2.494.002,22; porém, olhando para o que está sendo feito, surge a seguinte questão: será que o custo de uma obra desse porte gira, realmente, em torno 2,5 milhão de reais? Quarto, seria ideal que obras como essa tivessem seus projetos (orçamentário, arquitetônico, etc.) publicizados no site da prefeitura para a consulta e fiscalização públicas a qualquer tempo.
Isso é tudo por enquanto, caro leitor.
Agradeço se você leu até aqui.
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