Capa do livro e Hanna Limulja – Foto reproduzida do Instragram

A abertura ao outro é essencial para a formação de qualquer humano, ainda que isso nos coloque em risco, o perigo de nos transformar em outro. É esse processo de abertura à diferença que Limulja nos proporciona por meio dos sonhos Yanomami, e fica o recado de Kopenawa de que os brancos não sabem sonhar.

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Se quisermos pensar em um estilo de vida que não seja pautado em espalhar doenças e destruidor do mundo, é preciso reaprender a agir no estado de vigília, que só pode ser transformado se aprendermos a sonhar de fato, ir além dos nossos pensamentos egoístas e desejo de mercadoria.

Os Yanomami em seus sonhos são desejados por outros, ou seja, para eles se alguém aparece em seu senho é porque deseja reencontrar o sonhador, durante os sonhos também vão conhecendo, aprendendo sobre a floresta e sobre lugares ainda não visitados, mas que possivelmente terão contato. De certo modo, o novo sempre está lá, já fora sonhado, é possível de ser conhecido. A lição que podemos aprender é que nossa forma de conhecimento pode ser expandida se aprendermos a nos reinventar, se aprendermos a sonhar, necessidade cada vez mais próxima diante da catástrofe climática planetária.

Além dos sonhos cotidianos e sonhos com aqueles que foram e podem ir para outro plano, o dos mortos, há o sonho dos xamãs, que nos recontam e vivem os mitos, ainda que na forma de imagem (pei utupë), e basicamente tudo que existe tem sua imagem. Que numa inversão dia e noite vive nos momentos de descanso do corpo, depois que o sol se põe.

Hanna Limulja e Davi Kopenawa Yanomami – Foto reproduriza do Instagram

Pensar, conhecer e viver os mundos possíveis que não o fim capitalista ou a queda do céu que destruiria a todos, pode nos envolver para aprender a sonhar, conhecer de outro modo. Podemos ouvir melhor os espíritos da floresta, nos tornarmos outros, não mais indivíduos com sede de mercadoria e metais, cavocando a terra e liberando todos os perigos adormecidos.

Hanna Limulja ajuda chegar até nós sonhos e palavras Yanomami, um verdadeiro convite a reaprender a sonhar e, portanto, a viver.

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